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Os juros da dívida pública alcançaram R$ 1 trilhão no acumulado de 12 meses, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (30/01). O valor redefine a estrutura do gasto federal e amplia a distância entre despesas financeiras e políticas públicas.
Em proporção da economia, a fatura corresponde a 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Por comparação, em 2020, essa relação era de 4,1%. O avanço em cinco anos, portanto, mostra uma mudança estrutural no custo de financiamento do Estado brasileiro.
Juros da dívida pública e a pressão sobre o orçamento
No Orçamento de 2025, a dotação aprovada para pagamento de juros soma R$ 1,008 trilhão. O montante supera, isoladamente, áreas centrais da despesa primária, como Saúde, Educação e programas de transferência de renda.
Enquanto ministérios disputam espaço fiscal, a conta financeira cresce de forma automática. Analistas apontam que essa dinâmica reduz a margem de escolha do governo e comprime investimentos em infraestrutura, serviços públicos e políticas sociais.
Custo da dívida e a engrenagem fiscal-monetária
O aumento do custo da dívida pública está ligado à combinação entre déficit primário persistente e taxa básica de juros em nível elevado. Com a Selic em patamar restritivo, grande parte dos títulos indexados à taxa básica encarece rapidamente.
Como a arrecadação não cobre integralmente os encargos financeiros, o Tesouro precisa emitir novos papéis. Economistas descrevem esse processo como um ciclo de retroalimentação, no qual o estoque cresce e pressiona despesas futuras.
Além disso, a percepção de risco fiscal influencia o prêmio exigido pelos investidores. Essa leitura afeta o mercado de títulos, o câmbio e as expectativas de inflação, reforçando o ambiente de juros altos.
Juros da dívida pública e os próximos desafios
A trajetória recente indica que os juros da dívida pública passaram a ocupar uma posição dominante na estrutura do gasto federal. Em termos históricos, a série mostra aceleração clara a partir de 2021, após um período de relativa acomodação.
Especialistas defendem que a reversão desse quadro depende de coordenação entre política fiscal e monetária. Sem melhora consistente das contas públicas, a economia segue direcionando parcela crescente da renda nacional para despesas financeiras, com efeitos duradouros sobre crescimento e capacidade de investimento.