Geração de empregos formais em 2025 apresenta menor saldo desde a pandemia

Os empregos formais 2025 somaram 1,27 milhão de vagas, o menor saldo desde a pandemia. Juros altos e crédito restrito explicam a desaceleração do mercado de trabalho formal no país.
Carteira de trabalho sendo preenchida, representando geração de empregos formais 2025 no Brasil
Dados do Caged mostram perda de ritmo na geração de vagas formais em 2025. (Foto: Reprodução)
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A geração de empregos formais em 2025 apresentou o menor saldo desde a pandemia da Covid-19. Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego, que, nessa quinta-feira (29/10), informou a criação líquida de 1,279 milhão de vagas com carteira assinada ao longo do ano, desempenho inferior ao registrado nos ciclos recentes de recuperação.

O número representa desaceleração frente a 2024, quando o saldo superou 1,67 milhão de postos. Além disso, na comparação histórica, o dado também fica distante do pico observado em 2021 e 2022, período marcado pela reabertura econômica e maior estímulo à atividade produtiva.

Empregos formais em 2025 sob influência dos juros

Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o comportamento dos empregos formais em 2025 refletiu, sobretudo, o ambiente financeiro restritivo. A taxa Selic chegou a 15% ao ano, elevando o custo do crédito e reduzindo a capacidade das empresas de financiar investimentos e ampliar contratações.

De acordo com o ministro, o cenário não caracterizou retração da economia, mas perda de velocidade. Técnicos da pasta avaliam que o encarecimento do crédito afetou diretamente setores mais dependentes de financiamento, portanto, limitando a expansão do emprego com carteira assinada ao longo do ano.

Mercado de trabalho formal e desempenho setorial

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam criação líquida de empregos formais em todos os setores da economia em 2025. A distribuição das contratações, no entanto, revela diferenças relevantes entre os ramos, refletindo distintos níveis de atividade e acesso a crédito.

  • Serviços: criação líquida de 758,3 mil postos, sustentando a maior parcela do saldo anual.
  • Comércio: abertura de 247,1 mil vagas formais ao longo do ano.
  • Indústria: saldo positivo de 144,3 mil empregos, com impacto do custo elevado do crédito.
  • Construção: geração de 87,9 mil postos, abaixo dos setores mais dinâmicos.
  • Agropecuária: criação líquida de 41,9 mil vagas, o menor resultado entre os segmentos.

Essa composição ajuda a explicar o resultado agregado dos empregos formais em 2025. Enquanto serviços sustentaram parte relevante do saldo anual, a indústria enfrentou maior restrição de liquidez, o que reduziu a capacidade de absorção de mão de obra formal.

Empregos formais em 2025 no fechamento do ano

O comportamento de dezembro também pesou no balanço anual do Ministério do Trabalho. Tradicionalmente marcado por desligamentos, o mês registrou encerramento líquido de 618,2 mil vagas, número superior ao observado em dezembro de 2024, quando 555,4 mil postos foram fechados.

No ambiente externo, o governo avaliou que medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos afetaram segmentos específicos, como madeira, móveis e calçados. Ainda assim, a leitura oficial aponta que o impacto do crédito caro superou o das restrições comerciais no desempenho dos empregos formais em 2025, reforçando a ligação direta entre política monetária e mercado de trabalho.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à cobertura do setor produtivo, indústria e investimentos, com base em experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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