O depoimento do BRB à PF (Polícia Federal) trouxe novos elementos sobre a compra de carteiras de crédito do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Em oitiva, o ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, afirmou que o banco não tinha clareza de que se tratava de fraude, mas identificou uma mudança no padrão documental e na originação dos créditos adquiridos.
Segundo Costa, os arquivos enviados ao BRB indicavam averbações regulares e débitos mensais recorrentes. A operação, porém, tinha grande escala: envolvia cerca de R$ 12 bilhões, aproximadamente 400 mil CPFs e 1 milhão de contratos, adquiridos entre julho de 2024 e abril de 2025.
Depoimento do BRB à PF e o método de checagem
No depoimento do BRB à PF, o ex-dirigente explicou que o banco adotou conferência por amostragem. Segundo ele, foram analisados 130 contratos do total de 1 milhão comprados do Master, procedimento tratado como usual no sistema financeiro, dada a existência de registros em câmaras e o ambiente regulado.
Costa declarou que essa amostra foi submetida às áreas internas de orçamento, risco, jurídico e controladoria, com aprovação unânime. Ele afirmou ainda que os testes constam de relatório circunstanciado elaborado pelo Banco Central (BC).
Divergências e questionamentos institucionais
A investigação inclui uma acareação entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, realizada no fim de dezembro. Nela, surgiram versões distintas sobre a origem das carteiras. Vorcaro afirmou que informou ao BRB sobre créditos de terceiros. Costa disse que o banco entendia que eram créditos do próprio Master, depois negociados.
No mesmo eixo, o depoimento do BRB à PF passou a conviver com críticas do Banco Central. Ailton Aquino afirmou que a governança do BRB deveria identificar os créditos. Ele apontou falhas nos controles e relatou questionamentos formais ao banco.
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Depoimento do BRB à PF e as medidas adotadas
Segundo Costa, após identificar a alteração no padrão documental, o BRB ampliou auditorias. O banco comunicou o Banco Central, passou a exigir garantias e promoveu a substituição dos ativos. Paulo Henrique Costa afirmou que o BRB já substituiu cerca de R$ 10,5 bilhões. Ele disse que o banco mantém aproximadamente R$ 2,5 bilhões pendentes e constituiu R$ 9 bilhões em garantias.
O depoimento do BRB à PF consolida o eixo central da apuração: não há, nos dados apresentados, conclusão pericial de fraude nos 130 contratos analisados. O debate permanece concentrado no padrão de diligência adotado na compra de 1 milhão de contratos e na capacidade de os controles internos identificarem problemas em operações dessa escala.