Combustíveis mais caros marcam início de 2026, mesmo após corte da Petrobras

Os combustíveis mais caros abriram 2026 mesmo após corte da Petrobras. ICMS, entressafra do etanol e repasse gradual explicam a alta registrada na maioria dos estados.
Bomba de combustível, simbolizando combustíveis mais caros em posto no Brasil
Preços nas bombas iniciaram 2026 em alta em grande parte do país. (Foto: Reprodução)
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Combustíveis mais caros marcaram o início de 2026 no Brasil, apesar da redução no preço da gasolina anunciada pela Petrobras na última terça-feira (27/01). Dados da ValeCard, com base em transações realizadas entre 1º e 26 de janeiro (01/01), apontam altas disseminadas nos valores pagos pelos consumidores em praticamente todo o país.

Na média nacional, a gasolina comum foi vendida a R$ 6,483 em janeiro, avanço de 1,63% em relação a dezembro. Já o etanol apresentou a maior pressão no período, com alta média de 3,46%, enquanto o diesel S-10 subiu 0,56%. Segundo o levantamento, a gasolina teve aumento em 24 estados, o etanol avançou em 25 unidades da Federação e o diesel registrou alta em 21.

Combustíveis mais caros e o efeito limitado do corte da Petrobras

A redução de preços anunciada pela Petrobras ocorreu apenas no fim de janeiro, o que limita sua captura nas médias do mês. Além disso, o repasse ao consumidor costuma ocorrer de forma escalonada, condicionado ao giro de estoques das distribuidoras e dos postos.

De acordo com a ValeCard, o preço final reflete uma estrutura de custos mais ampla, que inclui margens de revenda, despesas logísticas e variações tributárias entre os estados. No caso da gasolina, esse processo é influenciado ainda pela presença obrigatória de 30% de etanol anidro na composição do combustível.

Alta nos preços dos combustíveis no recorte regional

O comportamento regional da gasolina em janeiro mostrou que a alta não ocorreu de forma homogênea pelo país. Além disso, algumas regiões concentraram tanto os maiores avanços percentuais quanto os preços médios mais elevados nas bombas.

  • Nordeste: o Rio Grande do Norte registrou a maior alta percentual do país, com avanço superior a 6%.
  • Sul: todos os estados apresentaram aumento no mês, com destaque para Santa Catarina, onde a alta superou 3%.
  • Norte: a região concentrou os preços médios mais elevados do Brasil. Acre e Roraima encerraram janeiro com valores acima de R$ 7,40 por litro, pressionados por custos logísticos mais altos e menor densidade de mercado.

Combustíveis mais caros, etanol e pressão sazonal

Entre os combustíveis mais caros, o etanol foi o principal vetor de alta em janeiro. Apenas Piauí e Rondônia registraram recuo, enquanto o Nordeste concentrou os maiores avanços percentuais, associados à entressafra da cana-de-açúcar, período de menor oferta do biocombustível.

O Rio Grande do Norte apresentou a maior variação do país, com alta próxima de 13%. Pela metodologia da ValeCard, o etanol só compensa financeiramente quando custa até 70% do preço da gasolina. Em janeiro, apenas Amapá, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul atenderam a esse critério.

Diesel S-10 mostra variação mais contida

O diesel S-10 apresentou comportamento mais moderado no mês. Apesar de altas generalizadas no Sul, a região manteve os menores preços médios do país. O Nordeste concentrou as maiores variações percentuais, enquanto o Norte exibiu cenário misto, com quedas relevantes em alguns estados e altas pontuais em outros.

O início de 2026 indica que os combustíveis mais caros refletem a combinação entre ajuste tributário, fatores sazonais e a defasagem no repasse das decisões da Petrobras. A leitura do mercado aponta que eventuais ajustes tendem a ocorrer de forma gradual, acompanhando estoques e condições de oferta.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à cobertura do setor produtivo, indústria e investimentos, com base em experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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