Pai de Vorcaro não quitou terreno oferecido para ressarcir o BRB

Pai de Vorcaro não quitou terreno usado pelo Banco Master para ressarcir o BRB. Disputa judicial antiga e avaliação contestada travam a venda do imóvel.
Pai de Vorcaro não quitou terreno em Contagem usado pelo Banco Master
Vista aérea do terreno em Contagem (MG) ligado à família Vorcaro, incluído no pacote do Banco Master para ressarcimento ao BRB. Foto: Reprodução
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Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, é o personagem central de uma disputa judicial que compromete um dos ativos usados na tentativa de ressarcimento ao Banco de Brasília (BRB). O pai de Vorcaro não quitou o terreno incluído pelo Master no pacote apresentado para compensar um rombo de R$ 12,2 bilhões. O imóvel, localizado em Contagem (MG), está judicialmente bloqueado e integra um litígio que se arrasta há três décadas, o que inviabiliza sua venda para gerar recursos ao banco público.

O fundo Supreme Realty controla hoje o terreno de 76 mil metros quadrados, adquirido em 1995 pela Tropical Clube, empresa ligada a Henrique Vorcaro, por R$ 1,8 milhão. Segundo o processo em tramitação no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a empresa não quitou o valor ao vendedor, embora o contrato previsse 18 parcelas de R$ 100 mil.

Pai de Vorcaro não quitou terreno envolvido em disputa judicial antiga

A inadimplência levou a uma ação judicial que, mesmo após acordo firmado em 2022, não resultou em pagamento. Em dezembro de 2025, a Justiça determinou o arresto da matrícula do imóvel, bloqueando qualquer tentativa de alienação. Na prática, o ativo não pode ser convertido em caixa para o BRB, apesar de constar no pacote de ressarcimento.

O pai de Vorcaro não quitou terreno que o fundo avalia em R$ 300 milhões desde dezembro de 2023. Em 2020, quando o imóvel passou ao controle das empresas ligadas ao fundo, a avaliação era de R$ 67 milhões. Não há registro de obras, melhorias ou mudanças urbanísticas que expliquem a reprecificação.

Divergências de valor e questionamentos regulatórios

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiga se o Supreme Realty usou avaliações infladas para atrair investidores. A autarquia aponta laudos sem identificação clara de imóveis comparáveis e ausência de assinatura técnica. A CVM estima que investidores que compraram cotas entre 2018 e 2020 sofreram prejuízo de ao menos R$ 6 milhões.

Nesse contexto, o pai de Vorcaro não quitou terreno que também sustenta R$ 342 milhões em ações de empresas donas do imóvel dentro da carteira do fundo. A defesa de Daniel Vorcaro afirma que os ativos estavam regularmente registrados e avaliados por profissionais independentes, dentro das normas.

Leia também: Sigilo no caso Master é explicado por Toffoli em nota oficial

Pai de Vorcaro não quitou terreno e expôs fragilidades no acordo com o BRB

O caso integra um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que apura a fraude envolvendo títulos vendidos ao BRB. Fontes ligadas à investigação avaliam que parte relevante dos cerca de R$ 10 bilhões oferecidos pelo Master para substituir os papéis problemáticos apresenta fragilidades semelhantes.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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