A Investigação do Banco Central no caso Master foi aberta para revisar decisões adotadas ao longo de anos e entender por que riscos elevados não levaram a medidas mais cedo, segundo avaliação interna. A sindicância, decretada nesta quinta-feira (29/01), ocorre após a liquidação extrajudicial do banco, em novembro, e não tem prazo para conclusão.
O foco não está em apontar culpados, mas em reconstituir a atuação do órgão desde 2019, período que inclui a expansão do conglomerado controlado por Daniel Vorcaro. A apuração revisa autorizações e processos de supervisão e identificou sinais de liquidez apenas em 2024, com o quadro já em nível grave.
Investigação do Banco Central no caso Master e o histórico de decisões
A sindicância cobre a autorização para a transferência do controle do Banco Máxima ao Master e a consolidação do grupo ao longo de cerca de dois anos. Técnicos avaliam se havia elementos para uma intervenção anterior, hipótese que ganhou força após apurações externas apontarem vendas de carteiras fictícias e fragilidade financeira.
Relatos internos indicam divergências sobre lançamentos contábeis do Master e debates intensos sobre a leitura dos balanços. Esses episódios ajudam a explicar por que a Investigação do Banco Central no caso Master se voltou para a qualidade e o tempo das decisões técnicas, e não apenas para o desfecho da liquidação.
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Pressões institucionais e revisão da fiscalização
A iniciativa também responde ao avanço de investigações do Ministério Público Federal e à análise do Tribunal de Contas da União (TCU). Uma auditoria preliminar da corte de contas apontou ausência de inação desde meados de 2024. Ainda assim, o caso já havia gerado atritos institucionais e questionamentos públicos.
Outro fator considerado foi o risco jurídico de a defesa do controlador do banco usar lacunas do processo para contestar a liquidação. Para dirigentes do BC, documentar cada etapa passou a ser necessário como forma de prestação de contas e proteção institucional.
Investigação do Banco Central no caso Master e efeitos internos
A apuração impactou o corpo funcional. Servidores com décadas de atuação foram afastados de funções comissionadas, sem acusações formais. Segundo relatos, o ambiente interno mistura apreensão e cautela, dado o peso do episódio para a reputação técnica do órgão.
Com a Investigação do Banco Central no caso Master, a atual gestão define o episódio como referência para ajustes na supervisão bancária, na governança interna e no controle regulatório. O desfecho tende a influenciar como o BC reagirá a expansões rápidas e sinais de risco em instituições financeiras no futuro.