IGP-M: Índice Geral de Preços do Mercado inicia 2026 com alta mensal

O Índice Geral de Preços do Mercado subiu 0,41% em janeiro e iniciou 2026 com pressão no atacado, no consumo e na construção, segundo dados do FGV IBRE, apesar da queda acumulada em 12 meses. Continue lendo e saiba mais.
Índice Geral de Preços do Mercado em janeiro de 2026
Composição do Índice Geral de Preços do Mercado mostra pressão distribuída entre atacado, consumo e construção. (Foto: Reprodução)

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) registrou alta de 0,41% em janeiro de 2026, revertendo a variação negativa de dezembro (-0,01%), conforme a apuração mensal divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE) nesta quinta-feira (29/01). Apesar do avanço no mês, o indicador ainda acumula queda de 0,91% em 12 meses, o que coloca o resultado como um ajuste pontual no início do ano, e não como inflexão consolidada de tendência.

O resultado de janeiro reflete uma combinação de fatores ao longo da cadeia de preços. Portanto, houve pressão tanto nos custos da produção quanto nos preços pagos pelas famílias e nas despesas da construção civil, influenciadas por commodities, reajustes típicos do início do ano e aumentos ligados à mão de obra.

Índice Geral de Preços do Mercado e a pressão no atacado

No atacado, o Índice Geral de Preços do Mercado refletiu a retomada do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que subiu 0,34% em janeiro após queda em dezembro. A alta esteve concentrada em itens específicos, como minério de ferro, tomate e carne bovina, com impacto direto sobre cadeias industriais e alimentares.

Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, o minério de ferro teve aceleração relevante no mês, enquanto produtos agroalimentares ampliaram custos na origem. A leitura do IPA, portanto, indica pressão localizada, sem generalização entre todos os estágios de produção.

Consumo e reajustes no início do ano

No consumo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 0,51%, acima do resultado de dezembro. O início do ano concentrou reajustes típicos, como mensalidades escolares, além de aumentos em gasolina e alimentos, fatores que influenciaram o resultado.

Por outro lado, alguns grupos apresentaram desaceleração, como habitação e comunicação. Essa heterogeneidade reforça que a alta mensal não decorre de um vetor único, mas de ajustes pontuais comuns ao período.

Índice Geral de Preços do Mercado e custos da construção

O Índice Geral de Preços do Mercado também foi influenciado pela aceleração do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que subiu 0,63% em janeiro. O principal fator foi a mão de obra, com avanço de 1,03%, associado a dissídios regionais e ao impacto do salário mínimo.

Para o setor imobiliário e de infraestrutura, o dado sugere atenção aos custos no curto prazo. Ainda assim, a queda acumulada do Índice Geral de Preços do Mercado em 12 meses, apresentada pela FGV IBRE, indica que a trajetória do indicador segue condicionada à evolução dos próximos resultados. Além, é claro, dos comportamentos das commodities e serviços ao longo dos próximos meses.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à cobertura do setor produtivo, indústria e investimentos, com base em experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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