Após visitar Bolsonaro, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo (SP), afirmou nesta quinta-feira (29/01) que será candidato à reeleição em SP e que seguirá integrado ao projeto presidencial do grupo liderado pelo ex-presidente. A declaração foi dada após encontro no complexo da Papuda, em Brasília, onde Jair Bolsonaro cumpre pena em regime fechado.
O governador relatou ter comunicado pessoalmente a Bolsonaro que sua prioridade segue sendo o governo paulista. Ao mesmo tempo, declarou apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Planalto, reforçando que seu papel será semelhante ao exercido em 2022: garantir base eleitoral em São Paulo e atuar na articulação política.
Após visitar Bolsonaro, Tarcísio comenta sobre reeleição
A visita ocorreu entre 11h e 13h no Batalhão da Polícia Militar do DF conhecido como Papudinha, com autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Tarcísio chegou em comboio e esteve acompanhado de Vicente Santini, aliado da família Bolsonaro.
O encontro ganhou peso político por ocorrer após semanas de desgaste público entre o governador e o bolsonarismo. A indicação de Flávio como presidenciável havia gerado pressões e levou Tarcísio a adiar uma visita anterior. Auxiliares de ambos os lados trabalharam para reduzir o atrito antes do encontro.
Segundo o governador, a conversa também incluiu avaliações sobre outros nomes da direita. Ele citou a migração de Ronaldo Caiado para o Partido Social Democrático (PSD) e afirmou que Bolsonaro recebeu a movimentação de forma positiva, sinalizando convergência futura em um eventual segundo turno.
Disputa interna e papel estratégico
Entre aliados, a leitura predominante é que está definido, neste momento, o arranjo eleitoral: Tarcísio busca a reeleição no Palácio dos Bandeirantes enquanto Flávio disputa a Presidência. Ainda assim, persiste a cobrança de setores do bolsonarismo por maior engajamento público do governador.
A expectativa é que Bolsonaro defina de forma mais clara o papel de Tarcísio na campanha nacional. As opções incluem atuar como principal palanque no maior colégio eleitoral do país ou dialogar com legendas do centrão. O governador evitou detalhar essa função.
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Após visitar Bolsonaro, Tarcísio limita atuação ao papel estadual
Bolsonaro está preso desde 22 de novembro, após condenação a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. Aliados têm relatado preocupação com seu estado de saúde e defendem a transferência para prisão domiciliar, tema que não foi tratado publicamente após a visita.
Nesse contexto, após visitar Bolsonaro, Tarcísio adota postura cautelosa no cenário nacional. Ele preserva capital eleitoral em São Paulo e sinaliza lealdade ao grupo. Ao mesmo tempo, mantém margem para atuar como articulador em um campo político ainda fragmentado para 2026.