Relações políticas de Daniel Vorcaro só ampliam com novos fatos no Congresso, STF e Banco Central

As relações políticas de Daniel Vorcaro estão em expansão, apresentando novos desdobramentos. A ampliação de sua equipe jurídica, que inclui José Eduardo Cardozo, é um reflexo da pressão atual. Propostas de CPIs visam investigar o Banco Master, revelando um ambiente complexo que influenciará o futuro de Vorcaro.
Relações políticas de Daniel Vorcaro em composição visual sobre rede institucional e conexões de poder

As relações políticas de Daniel Vorcaro entraram em uma fase de expansão contínua, marcada pelo surgimento quase diário de novos fatos. Nesse contexto, o caso passou a ocupar espaço central no debate institucional. O que antes surgia de forma fragmentada agora se sobrepõe entre Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal (STF) e órgãos reguladores, criando um ambiente de atenção permanente em torno do Banco Master.

Essa mudança de patamar ficou ainda mais evidente nesta quarta-feira (28/01). Segundo advogados e fontes próximas ao caso, a defesa de Vorcaro avalia ampliar sua equipe jurídica e considera a contratação de José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça. Embora os atuais defensores afirmem que a delação premiada não esteja em discussão, fontes ouvidas pelo J1 News afirmam que, nos bastidores, comenta-se que a eventual entrada de Cardozo no caso teria como missão conduzir a negociação da temida colaboração do controlador do Banco Master.

Relações políticas de Daniel Vorcaro no Judiciário

No Judiciário, as relações políticas de Daniel Vorcaro envolvem ministros do STF e decisões sensíveis. Durante o período de transição entre sua saída da Corte e a posse como ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski prestou serviços jurídicos ao grupo. Depois disso, conforme registrou o noticiário econômico, escritórios ligados a familiares passaram a executar esses serviços.

Além disso, o ministro Dias Toffoli assumiu a relatoria dos processos associados ao caso. Ministros do STF manifestaram apoio institucional à condução dos autos. Ainda assim, o presidente da Corte, Edson Fachin, afirmou publicamente que existe a possibilidade de retorno dos processos à primeira instância, o que mantém o ambiente jurídico em aberto.

Nesse mesmo eixo, chamou atenção o contrato de R$ 129 milhões firmado com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Segundo relatos do meio jurídico, o valor elevado e a ausência de escopo público detalhado passaram a gerar questionamentos técnicos entre especialistas.

Congresso, BRB e mercado de carbono

No Congresso e no Executivo, as relações políticas de Daniel Vorcaro também avançaram. De acordo com apuração da imprensa, o senador Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil) atuaram como pontes entre o banqueiro e lideranças políticas nacionais. Ambos teriam participado das negociações para a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Nogueira não tem se manifestado sobre o caso.

Segundo as reportagens, a proposta foi apresentada ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que demonstrou interesse na operação para a instituição financeira controlada pelo DF. No entanto, em setembro do ano passado, o Banco Central vetou a operação. Sobre a divulgação recente de possíveis encontros de Ibaneis com Daniel Vorcaro, inclusive alguns realizados na residência do banqueiro, ele afirmou que não tratou de temas relacionados ao BRB e que “entrou mudo e saiu calado” nessas ocasiões.

Paralelamente, autoridades passaram a analisar a atuação de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, no mercado regulado de carbono. Uma emenda apresentada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), criou um mercado compulsório bilionário de créditos ambientais. Com isso, em virtude da articulações políticas de Daniel Vorcaro, seguradoras e entidades de previdência privada passaram a ser obrigadas a direcionar parte de suas reservas técnicas a esses ativos. Segundo reportagem do UOL, esses créditos teriam sido supervalorizados, o que provocou reação do setor e levou a norma a ser questionada no STF.

CPIs, regulação e pressão cruzada

No Congresso, parlamentares reuniram assinaturas para criar três CPIs destinadas a investigar o Banco Master. Uma delas é mista, outra tramita no Senado e a terceira na Câmara. A instalação dos colegiados depende das presidências das Casas.

Nesse cenário, o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), tem demonstrado resistência à abertura das comissões. Nos bastidores, segundo parlamentares ouvidos pela imprensa, essa posição se relaciona à atuação de uma bancada alinhada a Vorcaro no Centrão.

Ao mesmo tempo, a atuação do regulador entrou no centro da apuração. Reportagem publicada pelo Estadão, também nesta quarta-feira (28/01), mostrou que o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto tinha conhecimento dos problemas de liquidez do Banco Master. Ainda assim, segundo a publicação, ele evitou adotar medidas extremas durante o último ano de seu mandato, entre 2019 e 2024. Esse dado adiciona uma camada temporal relevante ao caso, ao indicar que alertas internos antecederam a atual escalada política.

Diante desse quadro de pressão cruzada — Congresso, Judiciário e regulação —, a possível entrada de José Eduardo Cardozo na defesa ganha outro significado. Mais do que um reforço técnico, a movimentação sinaliza, segundo interlocutores, que as relações políticas de Daniel Vorcaro deixaram de ser episódicas e passaram a operar sob observação constante, à medida que novos fatos continuam a surgir e a reorganizar o tabuleiro institucional.

Foto de Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação. Integra a equipe editorial do J1 News, com produção de conteúdos e análises voltadas às editorias de política, economia, negócios, tecnologia e temas de interesse público. Também atua editorialmente no Economic News Brasil e no Boa Notícia Brasil.

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