A Polícia Federal – PF investiga influenciadores após identificar indícios de uma campanha digital organizada contra o Banco Central, em reação à liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro do ano passado. A apuração foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e amplia o alcance do caso para além das irregularidades financeiras já sob investigação.
A Polícia Federal abriu o inquérito após análise preliminar de postagens que circularam nas redes sociais com críticas à decisão do Banco Central. Segundo investigadores, o conteúdo apresentava padrão narrativo e temporal compatível com atuação coordenada, o que motivou o pedido formal de autorização ao STF.
PF investiga influenciadores e a origem das postagens
Relatos de produtores de conteúdo indicam que abordagens ocorreram em dezembro, com propostas para difundir vídeos e publicações questionando a atuação do Banco Central. Os contratos sugeridos teriam duração de três meses, com previsão de oito postagens mensais por perfil.
A narrativa proposta classificava a liquidação do Banco Master como precipitada e buscava associar a decisão regulatória a supostos excessos institucionais. O material, segundo fontes ouvidas na investigação, dialogava com argumentos apresentados em peças jurídicas do caso.
Investigação sobre comunicação digital e coordenação
A apuração conduzida pela Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor) também avalia se houve pagamento e alinhamento estratégico entre os influenciadores. Levantamento da GloboNews identificou publicações semelhantes feitas por perfis que somam mais de 36 milhões de seguidores no Instagram.
Para a PF, o foco está em compreender se houve tentativa estruturada de pressionar uma autoridade pública por meio de redes sociais, utilizando alcance digital como ferramenta indireta de disputa institucional.
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PF investiga influenciadores no contexto do caso Banco Master
O inquérito se conecta a investigações já em curso sobre o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. A instituição foi alvo de operação policial antes da liquidação, com apurações sobre fraudes financeiras, desvio de recursos e ocultação patrimonial.
A Justiça iniciou nesta semana a oitiva dos investigados nesses procedimentos. A nova frente amplia o escopo do caso para o campo da comunicação, sem alterar, por ora, o núcleo financeiro das investigações.
No campo da defesa, advogados de Vorcaro negam qualquer vínculo com influenciadores ou campanhas digitais. Em nota, afirmaram que ele não mantém relação com contratação de conteúdos nem com ações de difamação contra autoridades públicas.
Ao avançar sobre a dimensão digital do episódio, a PF investiga influenciadores como parte de uma leitura mais ampla sobre o uso de redes sociais em disputas regulatórias, tema que tende a ganhar espaço em investigações futuras envolvendo poder econômico e comunicação.