Lula critica uso da força e defende neutralidade do Canal do Panamá

Lula critica uso da força ao defender a neutralidade do Canal do Panamá e ampliar o discurso contra intervenções militares na América Latina.
Lula critica uso da força durante discurso no Fórum da América Latina no Panamá
Lula durante a abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, no Panamá. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Durante a abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, nesta quarta-feira (28/01), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a neutralidade do Canal do Panamá e, ao tratar do cenário regional, Lula critica uso da força como instrumento político, em meio às tensões entre os Estados Unidos, países caribenhos e governos da América Latina.

O presidente afirmou que o canal vem sendo administrado “de forma eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas”, argumento apresentado como resposta indireta às críticas do presidente norte-americano Donald Trump sobre tarifas e controle da passagem comercial.

Lula critica uso da força e o papel do Canal do Panamá

Ao mencionar o Canal do Panamá, Lula associa soberania logística a estabilidade regional. Segundo ele, a neutralidade da rota comercial deve ser preservada diante de disputas geopolíticas e pressões externas, especialmente dos Estados Unidos, que questionam custos e governança do canal.

O tema deve integrar a pauta de uma reunião bilateral prevista à margem do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe entre Lula e o presidente panamenho, José Raúl Mulino. Até o momento, não houve divulgação oficial de data ou horário para o encontro.

Condenação a intervenções militares e fragilidade regional

No mesmo discurso, o presidente ampliou o tom crítico. Lula critica uso da força ao afirmar que intervenções militares não solucionam problemas estruturais da América Latina e do Caribe. Ele também apontou paralisia institucional da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).

“A CELAC não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região”, afirmou Lula, atribuindo o impasse à falta de consenso político entre os países-membros.

Segundo declarações do próprio presidente, os Estados Unidos realizaram uma ação militar na Venezuela no início do ano, com mortos e prisões de lideranças políticas. Lula não detalhou o episódio, mas voltou a criticá-lo em sua fala pública.

Integração regional como resposta diplomática

Como contraponto, Lula defendeu a integração regional. Ele citou o programa Rotas de Integração sul-americana, que estrutura corredores bioceânicos com uso de portos chilenos, ligando Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Chile.

Durante encontro com o presidente chileno, José Antonio Kast, o tema foi tratado como eixo de articulação econômica e diplomática. Para Lula, envolver governos locais, setor privado e sociedade civil é condição para uma integração duradoura.

Ao encerrar o discurso, Lula critica uso da força novamente ao afirmar que o Brasil escolheu “o mundo da democracia, da paz e da integração regional”. Em março, ele deve levar essa posição a Washington, em reunião com Donald Trump, quando pretende discutir Venezuela, Gaza e comércio internacional.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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