O ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, falou com Lula antes de ser convidado para comandar o Ministério da Justiça, ao tratar de contratos de consultoria que mantinha na iniciativa privada, segundo declarou a ministra Gleisi Hoffmann nesta quarta-feira (28/01). A informação foi apresentada como parte do processo de transição para o cargo e, segundo o governo, não configurou impedimento legal.
De acordo com Gleisi, o ex-ministro relatou ao presidente a existência de atividades privadas e indicou que precisaria se afastar delas para assumir a função pública. A ministra afirmou que o diálogo ocorreu antes do convite formal e que Lewandowski adotou as providências exigidas pela legislação.
Lewandowski falou com Lula sobre vínculos privados
Ao detalhar o episódio, Gleisi afirmou que Lewandowski apresentou a Lula seus contratos de forma ampla, sem confirmar se citou nominalmente o Banco Master. Em declarações posteriores, a ministra ajustou sua fala inicial e ressaltou que o ponto central foi a comunicação sobre atividades privadas em andamento.
Segundo a ministra, o ex-ministro deixou a consultoria e se afastou do escritório de advocacia antes de assumir o comando da pasta. Para ela, o procedimento seguiu os parâmetros legais e não interferiu nas atribuições institucionais exercidas posteriormente no governo.
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Comunicação prévia e leitura institucional
Na avaliação do Palácio do Planalto, o fato de Lewandowski falou com Lula antecipadamente reforça a tese de transparência no processo de nomeação. Gleisi sustentou que a atuação do governo se concentrou na apuração rigorosa do caso envolvendo o Banco Master, conduzida pela Polícia Federal durante a gestão do ex-ministro.
A ministra citou decisões administrativas. Entre elas, a liquidação da instituição financeira e a prisão de seu controlador. Para Gleisi, as medidas afastam interferência política.
Lewandowski falou com Lula e o governo reage à oposição
No campo político, Gleisi afirmou que Lewandowski falou com Lula dentro dos limites institucionais e que a oposição tenta deslocar o foco do debate. Segundo ela, governos estaduais comandados por adversários do Planalto precisam esclarecer aplicações de fundos de pensão relacionados ao Banco Master.
A ministra minimizou a reunião entre o presidente e Daniel Vorcaro, em dezembro de 2024. Segundo Gleisi, encontros com representantes do sistema financeiro integram a rotina presidencial. Para ela, o debate tem viés político.