O jato de Daniel Vorcaro foi colocado à venda nos últimos dias de 2025, em meio à liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC) e ao avanço das investigações da Polícia Federal. O Gulfstream G700, adquirido em junho do ano passado por R$ 538 milhões, tornou-se um dos ativos de maior valor no contexto do colapso da instituição financeira.
A colocação do avião no mercado ocorreu um mês após a primeira fase da Operação Compliance Zero, que levou à prisão de Vorcaro em 17 de novembro. A aeronave havia sido incorporada à frota do banqueiro poucos meses antes da intervenção do BC, o que ampliou o interesse institucional sobre sua circulação internacional e situação patrimonial.
Jato de Daniel Vorcaro e os deslocamentos internacionais
Nas semanas que antecederam a liquidação do banco, o jato de Daniel Vorcaro realizou voos por centros financeiros estratégicos. Dados de transponder indicam passagens pela Flórida e por Dubai pouco mais de dez dias antes da prisão do banqueiro. O voo direto entre os Estados Unidos e os Emirados Árabes Unidos colocou em evidência a autonomia intercontinental do modelo.
Horas após a prisão, o Gulfstream decolou de Fort Lauderdale com a então namorada de Vorcaro a bordo. Pouco depois, a aeronave alterou bruscamente a rota nas proximidades das Bermudas e retornou ao Brasil. A Polícia Federal passou a observar o episódio no contexto das apurações.
Segundo apuração publicada em blog do Grupo Globo, investigadores passaram a trabalhar com a hipótese de que Vorcaro teria tomado conhecimento prévio da iminência da operação policial e organizado a saída do país. A defesa do banqueiro nega qualquer tentativa de fuga.
Estrutura societária e processo formal de venda
Formalmente, o jato de Daniel Vorcaro pertence à PS-MGG Administração de Bem Próprio S/A, sociedade controlada pela Prime You, operadora de aeronaves e bens de alto valor com sede em Barueri (SP). A empresa também figura como operadora do avião junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), conforme registros do Registro Aeronáutico Brasileiro.
Em 17 de dezembro, a PS-MGG registrou na Junta Comercial um documento que autoriza a alienação da aeronave. O registro ocorreu exatamente um mês após a prisão de Vorcaro e prevê a venda a um “terceiro”, em caráter irrevogável. Até o momento, a transferência de propriedade não foi concluída nos sistemas da Anac.
A Prime You informou ao Valor Econômico que Vorcaro não é cotista do Gulfstream G700. Segundo a empresa, eventuais negociações envolvendo o ativo pertencem exclusivamente à esfera patrimonial da companhia.
Planos de voo, Malta e leitura investigativa
No último dia 14 de janeiro, a Folha de S. Paulo revelou que a Polícia Federal identificou três planos de voo distintos para um jato Falcon 7x que levaria Vorcaro a Malta. Segundo investidores ouvidos pelo jornal, o país europeu figura como local onde o banqueiro manteria parte de sua fortuna. A defesa sustenta que a viagem estava previamente comunicada às autoridades.
Os dados indicam que, no fim de dezembro, o jato de Daniel Vorcaro passou pelo EuroAirport Basel-Mulhouse-Freiburg. O terminal é binacional, operado por França e Suíça, e reconhecido como hub da aviação executiva europeia. Não há confirmação se os voos mais recentes ocorreram já sob nova titularidade.
Jato de Daniel Vorcaro no centro da crise do Master
Embora o Gulfstream G700 integre a frota de empresários globais de alta renda, no caso específico, o jato de Daniel Vorcaro deixou de ser apenas um símbolo de luxo. A aeronave passou a ocupar posição relevante na leitura institucional sobre venda de ativos, restrições judiciais e reorganização patrimonial após a liquidação do Banco Master.
A venda do avião ocorre em um momento de forte escrutínio institucional. O sistema financeiro, os órgãos de controle e o Judiciário acompanham a destinação de bens ligados à antiga cúpula do banco. Nesse contexto, o ativo ganha peso simbólico e prático no desdobramento do caso.