Fachin diz que inquérito do Banco Master não deve permanecer no STF

Fachin diz que inquérito do Banco Master não deve permanecer no STF após avanço da apuração. Caso expõe tensões internas, pressões políticas e debate sobre regras de conduta no tribunal.
Fachin diz que inquérito do Banco Master não deve permanecer no STF
Edson Fachin, presidente do STF, afirmou que o inquérito do Banco Master não deve permanecer na Corte após o avanço da apuração. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, diz que inquérito do Banco Master tende a não permanecer no STF à medida que a apuração avança. A avaliação foi feita nesta terça-feira (27/01), em entrevista ao G1, ao comentar questionamentos sobre a competência da Corte para conduzir o caso.

Segundo o presidente do STF, o destino do inquérito ficará mais definido após a fase inicial da instrução, com a coleta de depoimentos e a análise de documentos. Para Fachin, os elementos técnicos do processo devem orientar a decisão institucional, sem antecipação de conclusões.

Fachin diz que inquérito do Banco Master depende da instrução

O inquérito que apura irregularidades no Banco Master está sob relatoria do ministro José Antonio Dias Toffoli. A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central, e as investigações envolvem suspeitas de fraudes ainda em apuração.

Ao tratar da competência do Supremo, Fachin afirmou que há uma leitura preliminar de que o caso pode não justificar a permanência na Corte. “Há uma tendência, pelo que se verifica até agora, que não se justifique ficar aqui”, disse, ao destacar que a definição exige amadurecimento processual.

O presidente do STF afastou qualquer relação da decisão com pressões externas ou disputas internas. Segundo ele, o tribunal só poderá avaliar o destino do processo após o encerramento da fase básica da apuração, com a conclusão dos depoimentos e da análise documental.

Discussão sobre permanência do caso no Supremo

A condução do inquérito provocou desgaste interno no tribunal. Fachin relatou que antecipou o retorno a Brasília durante o recesso para compreender a percepção dos ministros sobre o impacto do caso na imagem institucional do STF.

Nesse contexto, integrantes da Corte passaram a discutir a possibilidade de envio da investigação à primeira instância. A leitura, atribuída a ministros ouvidos reservadamente, é que a medida reduziria tensões sem interferir no andamento técnico do processo.

Dias Toffoli, por sua vez, tem sustentado a regularidade de sua atuação e afirma não haver motivos para impedimento ou suspeição. O ministro nega que relações pessoais ou familiares interfiram na condução do inquérito.

A pressão em torno da relatoria também passou a gerar desconforto no Palácio do Planalto. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha de perto o andamento do caso e, nos últimos dias, passou a sinalizar que não pretende assumir a defesa pública do ministro diante das críticas.

Leia também: Crise no STF expõe divisão interna após nota de Fachin sobre Toffoli

Fachin diz que inquérito do Banco Master também expõe debate ético

O episódio reacendeu no Supremo a discussão sobre a criação de um código de conduta para os ministros. Fachin defende que a deliberação avance antes das eleições de outubro, embora reconheça divergências internas sobre o tema.

Segundo o presidente da Corte, resistências fazem parte do processo deliberativo. Ele aponta que há avaliações distintas sobre o momento político e sobre a suficiência das normas já existentes para orientar a atuação dos magistrados.

Para Fachin, situações concretas podem revelar lacunas institucionais. Ainda assim, ele defende separar o debate sobre regras gerais de conduta da análise de casos judiciais específicos, preservando a estabilidade do tribunal.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

Veja também:

Publicidade