Consumo das famílias em 2025 avança mesmo com juros altos

Em 2025, o consumo das famílias continua a desempenhar um papel fundamental na economia brasileira, com a taxa de desemprego projetada em 5,2%. Embora iniciativas como o Bolsa Família contribuam para o aumento da renda das famílias em situação de vulnerabilidade, o crescimento enfrenta desafios significativos, como a predominância de empregos em setores de baixa produtividade.
consumo das famílias 2025 sustenta gastos em supermercados apesar dos juros altos.
Consumo das famílias 2025 segue aquecido com renda em alta, mesmo em um cenário de juros elevados. (Imagem: Canva)

O consumo das famílias em 2025 tornou-se o principal sustentáculo da atividade econômica brasileira em um ambiente de juros elevados e crescimento restrito. Em novembro, dados da PNAD Contínua confirmaram que emprego e renda seguem impulsionando a demanda interna, apesar da Selic em 15% ao ano.

A taxa de desemprego caiu para 5,2% no trimestre móvel encerrado em novembro. Ao mesmo tempo, a população ocupada alcançou cerca de 103 milhões de pessoas. Esse quadro ampliou a massa de rendimentos reais e ajudou a explicar a resiliência do consumo, mesmo com crédito mais caro.

Consumo das famílias 2025 e a força da renda

O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.574, com crescimento anual de 4,5%, segundo o IBGE. Com mais pessoas ocupadas e salários em recuperação, a massa de rendimentos reais atingiu R$ 363,7 bilhões no trimestre.

Esse avanço reforçou o papel do mercado de trabalho como eixo central da demanda doméstica. A valorização real do salário mínimo, reajustado para R$ 1.518 em janeiro de 2025, também teve impacto relevante sobre o consumo das famílias 2025, sobretudo nas faixas de menor renda.

Dados do DIEESE mostram que a maioria dos reajustes salariais negociados no ano superou a inflação. Assim, o poder de compra no consumo das famílias avançou mesmo sem ganhos proporcionais de produtividade do trabalho, o que reforça o caráter demandante do ciclo atual.

Demanda interna, transferências e estímulo fiscal

Além da renda do trabalho, as transferências públicas sustentaram o consumo das famílias em 2025. O Bolsa Família contou com cerca de R$ 160 bilhões no orçamento de 2025 e atendeu mais de 18 milhões de famílias. Esses recursos elevaram a renda disponível nos estratos mais baixos.

O efeito foi imediato sobre comércio e serviços locais. Análise publicada no blog do FGV-IBRE por Flávio Ataliba Barreto e João Mário Santos de França aponta que essa combinação ajudou a amortecer os efeitos dos juros elevados sobre a atividade.

Segundo os autores, o impulso fiscal teve papel relevante na sustentação da demanda agregada no curto prazo. Esse estímulo produziu efeitos rápidos sobre o emprego, mas sem alterar a estrutura produtiva da economia.

Juros altos, crédito e limites do consumo

Mesmo com a Selic em nível restritivo, o impacto sobre o consumo tem sido mais lento do que em ciclos anteriores. Parte das famílias recorreu ao crédito de curto prazo, especialmente cartão de crédito, reduzindo a sensibilidade imediata ao custo do dinheiro. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) indicam que cerca de 80% dos domicílios possuem algum tipo de endividamento.

Esse comportamento ajuda a explicar por que o consumo das famílias em 2025 permanece elevado, mas também levanta alertas. O Banco Central reconheceu, em atas recentes do Copom, que a transmissão da política monetária tem ocorrido de forma mais gradual, exigindo juros altos por mais tempo para conter pressões inflacionárias, sobretudo no setor de serviços.

Consumo das famílias me 2025 e os riscos à frente

Embora o fortalecimento do consumo tenha efeitos positivos sobre o emprego e a redução da pobreza, Barreto e França destacam que o atual padrão apresenta limites claros. A geração de vagas concentra-se em serviços de baixa produtividade, enquanto a eficiência do trabalho segue praticamente estagnada, restringindo o crescimento da economia.

Nesse contexto, o consumo das famílias em 2025 cumpre papel central na sustentação do crescimento no curto prazo, mas amplia desafios fiscais e monetários. Pois, sem avanços estruturais em produtividade e investimento, o país corre o risco de prolongar juros elevados, pressionar a dívida pública e comprometer a sustentabilidade da expansão econômica nos próximos anos.

Foto de Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação. Integra a equipe editorial do J1 News, com produção de conteúdos e análises voltadas às editorias de política, economia, negócios, tecnologia e temas de interesse público. Também atua editorialmente no Economic News Brasil e no Boa Notícia Brasil.

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