O avanço das investigações envolvendo o Banco Master recolocou a corrupção no centro do debate sobre a eleição presidencial de 2026. Marqueteiros que assessoram candidatos relataram que o caso deve estar no centro da disputa eleitoral, retomando uma dinâmica vista em 2014 e 2018, quando escândalos de corrupção orientaram o confronto político. Nesse cenário, Banco Master como eixo do debate eleitoral aparece associado às disputas narrativas já projetadas para a próxima corrida presidencial.
Segundo informações discutidas no Bastidores CNN, a avaliação considera o histórico recente das eleições. Em 2014, a reeleição de Dilma Rousseff ocorreu no início da Operação Lava Jato. Já em 2018, a prisão do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva impediu sua candidatura e colocou a corrupção no centro do debate. Na disputa de 2022, o cenário foi diferente, com maior foco na pandemia e na defesa da democracia. Agora, em 2026, marqueteiros ouvidos dizem que o caso Banco Master deve estar no centro do debate eleitoral.
Banco Master como eixo do debate eleitoral nas campanhas
Segundo marqueteiros ouvidos, o tema da corrupção tende a ganhar centralidade maior em 2026 do que na eleição anterior. Eles afirmam que o caso Banco Master deve ser explorado por diferentes candidaturas, tanto por aliados do presidente Lula quanto por adversários políticos, incluindo o campo bolsonarista.
A projeção apresentada por esses estrategistas é de que cada grupo tentará se descolar do escândalo e associá-lo ao adversário. O Banco Master, que envolve valores bilionários, aparece nas análises como um dos principais elementos desse embate, segundo relatos feitos por profissionais que atuam em campanhas presidenciais.
Disputa entre PT e bolsonarismo
No campo governista, o discurso já apresentado publicamente destaca a autonomia da Polícia Federal nos governos do Partido dos Trabalhadores (PT). O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães, afirmou em entrevista ao Bastidores CNN que os governos do PT criaram estruturas de controle, como a Controladoria-Geral da União, e garantiu que a Polícia Federal atua de forma independente.
Do outro lado, o bolsonarismo sustenta que grandes escândalos de corrupção surgem sob governos do PT. Esse argumento deve ser utilizado na campanha, segundo a avaliação dos marqueteiros ouvidos. Também devem entrar no debate doações de campanha. As relações políticas envolvem pessoas ligadas ao Banco Master. Entre os episódios citados estão vínculos com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e com governadores identificados com esse campo político.
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Investigação em curso e o papel das instituições
No mesmo ambiente em que equipes de campanha discutem o caso, a atuação da Polícia Federal aparece como ponto central das apurações. Nesse contexto, também entrou no debate a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça. A exoneração ocorreu antes da divulgação de pagamentos de quase R$ 5 milhões feitos pelo Banco Master a um escritório de advocacia ligado à sua família.
Após a saída de Lewandowski, o comando do Ministério da Justiça passou para Wellington César Lima. A mudança ocorre em meio ao avanço das investigações e à expectativa, manifestada por interlocutores políticos, de novas fases de apuração. Nesse contexto, o Banco Master como eixo do debate eleitoral tende a seguir presente no noticiário e nas disputas entre os campos políticos ao longo de 2026.