IPCA-15 de janeiro aponta desaceleração na prévia da inflação

O IPCA-15 janeiro, prévia da inflação no Brasil, subiu 0,20%. O índice refletiu queda em Habitação e Transportes, enquanto Saúde, Comunicação e Alimentação concentraram as principais altas. Continue lendo e saiba mais.
IPCA-15 janeiro mostra prévia da inflação no Brasil
O indicador, que funciona como prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,20%, (Foto: Reprodução)

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de janeiro, indicador que funciona como prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,20%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, divulgado nesta terça-feira (27/01), veio abaixo da taxa observada em dezembro, quando o índice havia avançado 0,25%.

Com isso, o IPCA-15 de janeiro acumula alta de 0,20% no ano e de 4,50% em 12 meses. A leitura reforça um início de ano marcado por alívio em preços administrados, ao mesmo tempo em que alguns grupos ligados ao consumo das famílias mantêm pressão relevante.

IPCA-15 de janeiro: leitura geral da prévia da inflação

A desaceleração na prévia da inflação de janeiro reflete uma combinação de fatores regulatórios e comportamentais. O recuo em itens de peso elevado compensou parcialmente aumentos concentrados em serviços e bens específicos.

  • Taxa mensal: 0,20% em janeiro, ante 0,25% em dezembro
  • Acumulado em 12 meses: 4,50%
  • Janeiro de 2025: 0,11%
  • Período de coleta: 13 de dezembro de 2025 a 14 de janeiro de 2026

Por metodologia, o IPCA-15 antecipa tendências que tendem a aparecer no IPCA cheio, já que utiliza a mesma estrutura de ponderação. Nesse contexto, com diferença apenas no período de coleta e na abrangência geográfica.

Composição do índice: o que puxou o IPCA-15 de janeiro

O resultado de janeiro foi moldado por forças opostas entre os grupos pesquisados. Dois deles registraram queda, enquanto os demais apresentaram variações positivas em diferentes intensidades.

  • Grupos com recuo:
    • Habitação: -0,26%, com destaque para a energia elétrica residencial (-2,91%) após a adoção da bandeira verde
    • Transportes: -0,13%, influenciado pela queda da passagem aérea (-8,92%) e do ônibus urbano (-2,79%)
  • Principais pressões de alta:
    • Saúde e cuidados pessoais: 0,81%, maior impacto do mês (0,11 p.p.)
    • Comunicação: 0,73%, puxada pelo aumento de aparelhos telefônicos
    • Alimentação e bebidas: 0,31%, com avanço de itens in natura e carnes

No grupo de Alimentação, a alta marcou o fim de uma sequência de sete meses de quedas na alimentação no domicílio. Refletindo, portanto, reajustes concentrados em produtos sensíveis a fatores climáticos e logísticos.

Diferenças regionais ajudam a explicar o IPCA-15 de janeiro

A prévia da inflação também mostrou forte heterogeneidade regional, resultado das diferentes estruturas tarifárias e padrões de consumo nas áreas pesquisadas.

  • Maior variação mensal:
    • Recife: 0,64%, pressionada por gasolina e itens de higiene pessoal
  • Menor resultado:
    • São Paulo: -0,04%, com quedas expressivas no leite longa vida e na energia elétrica
  • Peso regional:
    • São Paulo responde por 33,45% do índice nacional

Essas diferenças regionais ajudam a entender por que o índice nacional se mantém moderado mesmo diante de altas relevantes em determinados grupos e capitais.

Prévia inflacionária e leitura econômica

O comportamento do IPCA-15 de janeiro indica que o início do ano foi marcado por alívio pontual em preços regulados, enquanto segmentos ligados a serviços seguem exercendo pressão. A leitura, portanto, reforça que a inflação permanece dependente de fatores setoriais e regionais. Ou seja, exigindo acompanhamento atento nos próximos meses.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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