Contrato do Banco Master: o vínculo que antecede a saída de Lewandowski do Ministério da Justiça

O Contrato do Banco Master previa consultoria jurídica e institucional ao escritório da família de Lewandowski e permaneceu ativo durante investigação da Polícia Federal, vindo a público após a saída do ex-ministro do Ministério da Justiça.
Contrato do Banco Master: fachada da sede da instituição investigada pela Polícia Federal
Sede do Banco Master, cujo Contrato do Banco Master permaneceu ativo enquanto a Polícia Federal investigava a instituição. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Contrato do Banco Master, que previa a prestação de serviços de consultoria jurídica e institucional estratégica pelo escritório da família de Ricardo Lewandowski, seguiu ativo durante quase todo o período em que Ricardo Lewandowski esteve à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A pasta é responsável pela Polícia Federal, segundo apuração da coluna da jornalista Andreza Matais, do portal Metrópoles.

A apuração indica que o banco assinou o contrato em agosto de 2023 e estabeleceu pagamentos mensais de R$ 250 mil ao escritório da família de Lewandowski por consultoria jurídica e institucional. O Banco Master manteve os repasses até setembro de 2025, totalizando R$ 6,5 milhões brutos, dos quais R$ 5,25 milhões após a posse de Lewandowski no ministério, em janeiro de 2024.

Contrato do Banco Master durante investigação da Polícia Federal

Durante o período em que o contrato do Banco Master permaneceu em vigor, a Polícia Federal aprofundava investigações sobre a instituição financeira. A corporação deflagrou a Operação Compliance Zero em 17 de novembro, quando prendeu Daniel Vorcaro, dono do banco. Autoridades divulgaram publicamente a informação sobre a operação à época, quando Lewandowski ainda chefiava o Ministério da Justiça.

Segundo a coluna de Andreza Matais, Lewandowski formalizou a saída do escritório de advocacia em 17 de janeiro de 2024, pouco antes de assumir a pasta. Familiares diretos assumiram a administração da sociedade, mas mantiveram o contrato com o banco ativo por mais 21 meses.

Registros indicam que Lewandowski participou de apenas duas reuniões do comitê estratégico do Master durante todo o período contratual. Após sua ida ao ministério, a representação do escritório ficou sob responsabilidade de um de seus filhos, enquanto os pagamentos seguiram regulares.

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Saída do Ministério antecedeu a exposição pública do vínculo

A saída de Lewandowski do Ministério da Justiça ocorreu antes que os detalhes do contrato do Banco Master viessem a público. À época, o governo não apresentou explicação detalhada sobre os motivos do desligamento.

Após a mudança no comando da pasta, a divulgação de valores e datas ampliou o interesse público sobre os critérios de governança.

Em nota à Folha de S.Paulo, a assessoria de Lewandowski afirmou que ele deixou o escritório de advocacia e suspendeu o registro na OAB ao aceitar o convite para o ministério.

Contrato do Banco Master e o pano de fundo político

O caso ganhou dimensão política quando o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, disse ao portal Metrópoles que indicou Lewandowski ao Banco Master após consulta sobre um jurista. Segundo Wagner, a indicação teve caráter técnico.

Na mesma linha, Wagner negou ter indicado o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que atuou como consultor do banco. Mantega participou das negociações para a venda do Banco Master ao BRB, operação posteriormente barrada pelo Banco Central.

Em contraste com esses vínculos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou tom duro ao se referir ao banco em discursos recentes. Em evento em Maceió (AL), Lula acusou o Banco Master de um “golpe de mais de R$ 40 bilhões”, declaração amplamente repercutida pela imprensa nacional.

Ao reunir contrato ativo durante investigação policial, saída ministerial anterior à exposição pública do vínculo e conexões políticas reveladas posteriormente, o contrato do Banco Master passou a integrar um debate mais amplo sobre transparência institucional e limites entre relações privadas e funções públicas.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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