Cármen Lúcia chama atenção para desinformação e uso de IA nas eleições de 2026

Cármen Lúcia chama atenção para desinformação ao avaliar riscos da tecnologia e da Inteligência Artificial sobre o voto livre e a confiança institucional nas eleições de 2026.
Cármen Lúcia chama atenção para desinformação ao discursar em evento do TSE sobre eleições de 2026
A presidente do TSE, Cármen Lúcia, durante seminário sobre desinformação, segurança e integridade do processo eleitoral. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, chama atenção para desinformação como um dos principais desafios das eleições de 2026, ao apontar riscos diretos à liberdade de escolha do eleitor. A avaliação foi feita nesta terça-feira (27/01), durante a abertura de um seminário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre segurança, comunicação e integridade do processo eleitoral.

“Temos desafios novos, desafios que são de sempre, mas desafios, inclusive, inéditos. Uma delas é a questão da chamada desinformação”, pontuou a ministra.

Segundo a presidente do TSE, o problema não está na tecnologia em si, mas no uso direcionado para capturar a vontade do eleitor por meio de conteúdos falsificados. Para a ministra, a propagação de mentiras em escala digital corrói a confiança pública e compromete a legitimidade do voto.

Cármen Lúcia chama atenção para desinformação no ambiente eleitoral

Ao detalhar o cenário atual, Cármen Lúcia afirmou que a desinformação atua como fator de distorção do direito constitucional à informação. Na avaliação da magistrada, quando o eleitor recebe conteúdos que não correspondem aos fatos, ocorre uma interferência direta na formação da escolha política.

“Podem levar à contaminação do voto pela captura da vontade livre do eleitor com as mentiras tecnologicamente divulgadas, com a chamada desinformação, que deforma, transtorna e ilude e, portanto, ao invés de garantir o direito constitucional à informação, passam a desinformar”, afirmou a ministra.

A ministra também associou esse processo ao enfraquecimento da confiança nas instituições. Segundo ela, a dúvida sistemática sobre informações eleitorais compromete a base democrática, que depende da credibilidade do sistema e da Justiça Eleitoral.

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Tecnologia, Inteligência Artificial e limites institucionais

Outro ponto abordado foi o uso da Inteligência Artificial (IA) nas campanhas eleitorais. Cármen Lúcia observou que ferramentas digitais permitem a circulação rápida de falsidades apresentadas como fatos verídicos, sem transparência sobre manipulações.

Apesar disso, a presidente do TSE defendeu que o enfrentamento do problema ocorra sem restrições indevidas à liberdade de expressão. Para ela, o desafio institucional está em garantir rastreabilidade e clareza sobre conteúdos manipulados, preservando direitos fundamentais.

Atualmente, o TSE mantém aberta uma consulta pública sobre as regras das eleições de 2026, com prazo de contribuição até 5 de março. Entre os temas em debate estão o uso de novas tecnologias e medidas de contenção da desinformação.

Cármen Lúcia chama atenção para desinformação e segurança do voto

O seminário reúne servidores do TSE, dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), além de representantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. O objetivo é fortalecer a coordenação institucional diante de riscos ao processo eleitoral.

Durante o evento, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação atuará com independência e autonomia nas investigações eleitorais. Ele também declarou que candidatos que solicitarem proteção terão acompanhamento da PF.

Ao encerrar sua fala, Cármen Lúcia chama atenção para desinformação como um teste direto à capacidade do Estado de assegurar eleições íntegras. A leitura institucional é que o enfrentamento desse fenômeno definirá o grau de confiança pública no pleito de 2026.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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