A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, chama atenção para desinformação como um dos principais desafios das eleições de 2026, ao apontar riscos diretos à liberdade de escolha do eleitor. A avaliação foi feita nesta terça-feira (27/01), durante a abertura de um seminário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre segurança, comunicação e integridade do processo eleitoral.
“Temos desafios novos, desafios que são de sempre, mas desafios, inclusive, inéditos. Uma delas é a questão da chamada desinformação”, pontuou a ministra.
Segundo a presidente do TSE, o problema não está na tecnologia em si, mas no uso direcionado para capturar a vontade do eleitor por meio de conteúdos falsificados. Para a ministra, a propagação de mentiras em escala digital corrói a confiança pública e compromete a legitimidade do voto.
Cármen Lúcia chama atenção para desinformação no ambiente eleitoral
Ao detalhar o cenário atual, Cármen Lúcia afirmou que a desinformação atua como fator de distorção do direito constitucional à informação. Na avaliação da magistrada, quando o eleitor recebe conteúdos que não correspondem aos fatos, ocorre uma interferência direta na formação da escolha política.
“Podem levar à contaminação do voto pela captura da vontade livre do eleitor com as mentiras tecnologicamente divulgadas, com a chamada desinformação, que deforma, transtorna e ilude e, portanto, ao invés de garantir o direito constitucional à informação, passam a desinformar”, afirmou a ministra.
A ministra também associou esse processo ao enfraquecimento da confiança nas instituições. Segundo ela, a dúvida sistemática sobre informações eleitorais compromete a base democrática, que depende da credibilidade do sistema e da Justiça Eleitoral.
Leia também: Crise no STF expõe divisão interna após nota de Fachin sobre Toffoli
Tecnologia, Inteligência Artificial e limites institucionais
Outro ponto abordado foi o uso da Inteligência Artificial (IA) nas campanhas eleitorais. Cármen Lúcia observou que ferramentas digitais permitem a circulação rápida de falsidades apresentadas como fatos verídicos, sem transparência sobre manipulações.
Apesar disso, a presidente do TSE defendeu que o enfrentamento do problema ocorra sem restrições indevidas à liberdade de expressão. Para ela, o desafio institucional está em garantir rastreabilidade e clareza sobre conteúdos manipulados, preservando direitos fundamentais.
Atualmente, o TSE mantém aberta uma consulta pública sobre as regras das eleições de 2026, com prazo de contribuição até 5 de março. Entre os temas em debate estão o uso de novas tecnologias e medidas de contenção da desinformação.
Cármen Lúcia chama atenção para desinformação e segurança do voto
O seminário reúne servidores do TSE, dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), além de representantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. O objetivo é fortalecer a coordenação institucional diante de riscos ao processo eleitoral.
Durante o evento, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação atuará com independência e autonomia nas investigações eleitorais. Ele também declarou que candidatos que solicitarem proteção terão acompanhamento da PF.
Ao encerrar sua fala, Cármen Lúcia chama atenção para desinformação como um teste direto à capacidade do Estado de assegurar eleições íntegras. A leitura institucional é que o enfrentamento desse fenômeno definirá o grau de confiança pública no pleito de 2026.