Vazamento em mina da Vale ocorre duas vezes em menos de 24 horas em MG

O vazamento em mina da Vale em Minas Gerais ocorreu duas vezes em menos de 24 horas, acionou a ANM, gerou cobrança política e reforçou o debate sobre fiscalização e segurança ambiental.
Vazamento em mina da Vale em Congonhas provoca escoamento de água com sedimentos após chuvas intensas
Área atingida por vazamento em mina da Vale em Congonhas, após extravasamento de estrutura de drenagem durante período de chuvas. Foto: Divulgação / Prefeitura Congonhas

O vazamento em mina da Vale registrado no domingo (25/01) em Congonhas, na região central de Minas Gerais, ocorreu menos de 24 horas após outro extravasamento envolvendo a mineradora, em Ouro Preto. As duas ocorrências mobilizaram autoridades locais, estaduais e federais, além de reacender o debate sobre fiscalização de estruturas minerárias fora do sistema formal de monitoramento.

Segundo a prefeitura de Congonhas, o segundo episódio envolveu um sump na mina Viga, entre Plataforma e Esmeril. A Defesa Civil informou que não houve impacto em comunidades e confirmou a liberação de água com sedimentos rumo ao Rio Maranhão.

Vazamento em mina da Vale e resposta local

O prefeito de Congonhas, Anderson Cabido, afirmou que mais de 200 mil metros cúbicos de água escoaram da estrutura, carregando resíduos minerais. Segundo ele, não houve dano humano, mas o município identificou danos ambientais e acionou a Secretaria de Meio Ambiente.

A Defesa Civil Municipal e Estadual mantém equipes no local, realizando monitoramento contínuo. A prefeitura informou que vai apurar as causas do episódio e exigir medidas corretivas. O reconhecimento oficial do impacto ambiental reforçou a necessidade de respostas técnicas mais detalhadas por parte da empresa responsável.

Extravasamentos, fiscalização e pressão política

Após o primeiro vazamento, ocorrido na mina de Fábrica, em Ouro Preto, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, determinou que a Agência Nacional de Mineração (ANM) adote fiscalização rigorosa e apure responsabilidades. Em ofício encaminhado ao diretor-geral da agência, Mauro Henrique Moreira Sousa, o ministério afirmou que as medidas visam garantir a segurança e a proteção ambiental.

Segundo a nota do Ministério de Minas e Energia, a determinação inclui a análise de todas as estruturas impactadas. “Com a implementação das medidas necessárias para a solução da ocorrência, incluindo, se for o caso e conforme avaliação técnica, a interdição da operação”. O texto também prevê o acionamento de órgãos federais, estaduais e municipais, além da abertura de processo para apuração de responsabilidades “com total rigor e celeridade”.

No Congresso, a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) cobrou a suspensão da licença da Vale, citando falhas na segurança de estruturas que não constariam nos sistemas oficiais da ANM. Segundo ela, essas lacunas dificultam a responsabilização e ampliam o risco ambiental.

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Vazamento em mina da Vale no contexto de Brumadinho

O vazamento em mina da Vale ocorreu no mesmo dia em que Minas Gerais lembrou os sete anos do rompimento da barragem de Brumadinho, que matou 270 pessoas e contaminou o Rio Paraopeba. A coincidência temporal ampliou a atenção institucional e política sobre os novos episódios.

Em nota, a Vale afirmou que os extravasamentos não têm relação com barragens e que não houve impacto sobre pessoas ou comunidades. Ainda assim, a sequência de ocorrências recolocou sob escrutínio a gestão de risco, os protocolos operacionais e a resposta das estruturas minerárias durante chuvas intensas.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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