Parceria entre China e Canadá redefine agenda bilateral em meio à pressão tarifária dos EUA

A parceria China-Canadá avança com novos acordos econômicos enquanto os EUA pressionam Ottawa. Entenda os interesses, o contexto geopolítico e os efeitos dessa aproximação.
parceria China-Canadá em negociações diplomáticas
China e Canadá anunciam nova fase de cooperação econômica em meio a tensões com os EUA. (Foto: Ilustrativa)

O fortalecimento de uma relação de parceria entre China e Canadá foi mencionado pelo governo chinês nesta segunda-feira (26/01), quando Pequim afirmou ter definido acordos específicos para tratar temas econômicos e comerciais entre os dois países. A informação foi confirmada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, durante coletiva em Pequim.

Segundo o governo chinês, o entendimento busca organizar a relação bilateral sob princípios de igualdade e benefícios compartilhados, sem direcionamento contra outros países. A declaração ocorre em um contexto de pressão direta de Washington sobre Ottawa, com ameaças de tarifas adicionais caso o Canadá aprofunde laços com Pequim.

Parceria entre China e Canadá e os acordos econômicos

No discurso oficial, Guo Jiakun afirmou que a parceria entre China e Canadá inclui mecanismos para lidar de forma adequada com disputas comerciais e ampliar a cooperação econômica. O porta-voz evitou detalhar setores específicos, mas indicou que os entendimentos “atendem a interesses comuns” das duas economias.

Além disso, Pequim destacou que a iniciativa segue uma lógica de ganhos mútuos, afastando a leitura de confronto geopolítico. Para a diplomacia chinesa, o diálogo econômico com o Canadá deve contribuir para estabilidade e previsibilidade nas trocas comerciais, em um ambiente internacional mais fragmentado.

Relação bilateral entre Pequim e Ottawa

A reaproximação da relação entre China e Canadá ocorre após anos de relação marcada por tensões diplomáticas e comerciais. Ao retomar uma agenda estruturada, Ottawa sinaliza interesse em diversificar parceiros e reduzir dependências externas, segundo analistas de política internacional.

Do lado chinês, o fortalecimento da relação bilateral integra uma estratégia mais ampla de ampliar acordos com economias desenvolvidas fora do eixo tradicional liderado pelos Estados Unidos. A cooperação com o Canadá, nesse sentido, funciona como vetor econômico e diplomático.

Parceria China-Canadá sob pressão geopolítica

Embora Pequim afirme que a parceria entre a China e o Canadá não tenha como alvo terceiros, o anúncio acontece enquanto a Casa Branca avalia medidas comerciais contra o próprio Canadá. Nesse contexto, Washington tem alertado Ottawa sobre riscos estratégicos de um alinhamento mais profundo com a China, incluindo possíveis tarifas.

Esse cenário coloca o governo canadense diante de um equilíbrio delicado entre manter a relação histórica com os EUA e ampliar sua autonomia econômica. A parceria China-Canadá, portanto, passa a funcionar como termômetro da capacidade de países médios negociarem espaço próprio em um ambiente de competição entre grandes potências.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à cobertura do setor produtivo, indústria e investimentos, com base em experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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