O Comando Sul dos Estados Unidos confirmou o ataque dos EUA no Pacífico na sexta-feira (23/01), após forças norte-americanas atingirem uma embarcação em alto-mar. Segundo informações oficiais, a ação matou duas pessoas e deixou um sobrevivente, que as forças dos Estados Unidos passaram a procurar após a operação. As autoridades norte-americanas também não informaram a bandeira, o país de registro nem a nacionalidade dos ocupantes da embarcação atingida.
As autoridades militares não divulgaram o ponto exato do ataque nem detalhes sobre a identidade das vítimas. A comunidade internacional intensificou o escrutínio sobre o episódio diante da falta dessas informações iniciais e do uso de força letal fora de zonas reconhecidas de conflito armado.
Ataque dos EUA no Pacífico e a justificativa militar
Em comunicado oficial, as Forças Armadas dos EUA afirmaram que a embarcação navegava por rotas conhecidas de narcotráfico no Pacífico Oriental. Segundo os militares, informações de inteligência indicavam envolvimento direto com operações de tráfico internacional de drogas.
Com base nessa avaliação, o Comando Sul autorizou o emprego de meios navais e aéreos. Após o ataque, o Comando Sul acionou a Guarda Costeira dos Estados Unidos para iniciar os procedimentos de busca e resgate do sobrevivente citado no relatório militar.
Ainda assim, as autoridades não detalharam a origem das informações de inteligência nem esclareceram se houve tentativa de interceptação ou abordagem prévia antes do uso da força letal.
Escala das ações navais dos Estados Unidos
O episódio se insere em uma sequência mais ampla de operações conduzidas pelos Estados Unidos desde setembro de 2025. Nesse intervalo, os Estados Unidos conduziram 36 ataques contra mais de 30 embarcações no Pacífico e no Caribe, com 125 mortos, segundo dados oficiais.
Os militares realizaram a ação mais recente em 31 de dezembro, bombardearam dois barcos e causaram cinco mortes. Assim como no ataque dos EUA no Pacífico, as autoridades mantiveram sob sigilo os detalhes geográficos das operações.
Esse padrão indica uma ampliação do uso de força militar em missões vinculadas ao combate ao narcotráfico, combinando vigilância marítima, operações navais e ações letais em áreas internacionais.
Ataque dos EUA no Pacífico sob debate jurídico internacional
Especialistas em direito internacional e representantes da Organização das Nações Unidas avaliam que operações desse tipo podem se enquadrar como execuções extrajudiciais. O foco das críticas está na ausência de verificação independente e no uso exclusivo de inteligência militar para justificar mortes em alto-mar.
O New York Times informou que não foi possível confirmar de forma autônoma nem o ataque nem as informações de inteligência citadas pelos militares. Para analistas, essa limitação amplia dúvidas sobre proporcionalidade, transparência e enquadramento jurídico das ações.
Além disso, o ataque dos EUA no Pacífico ocorre em um momento diplomático sensível, semanas após a captura do presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, em operação conduzida por Washington. Observadores apontam que a coincidência temporal reforça a pressão internacional sobre a política de segurança adotada pelos Estados Unidos em áreas marítimas estratégicas.