A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) ganhou um novo capítulo nesta semana após o presidente da Corte, Edson Fachin, tornar pública uma manifestação institucional sobre o desgaste provocado por decisões do ministro Dias Toffoli no caso Master. O gesto, longe de pacificar o ambiente, aprofundou divergências internas e revelou fissuras na condução política do STF.
Fachin interrompeu as férias, antecipou o retorno a Brasília e iniciou conversas diretas com colegas. A justificativa, segundo relatos de pessoas próximas, foi a avaliação de que o contexto exigia presença ativa do presidente do tribunal diante do aumento da pressão externa e do desconforto interno.
Crise no STF e a resposta institucional
A nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social do STF não surgiu de forma improvisada. Antes da publicação, Fachin discutiu o teor do posicionamento com parte dos ministros, entre eles o vice-presidente Alexandre de Moraes. O grupo também inclui Gilmar Mendes, decano em atividade, que tem sustentado a atuação de Toffoli no inquérito.
Para essa ala, a crise no STF exigia uma defesa institucional do Judiciário frente às reportagens e críticas direcionadas ao ministro relator. A leitura predominante é que ataques ao magistrado acabaram sendo interpretados como questionamentos ao próprio tribunal.
Divisão no plenário e críticas à nota
Outros ministros, porém, afirmaram em entrevista à CNN que só tiveram conhecimento da nota após a divulgação oficial. Entre eles, a avaliação é de que o texto “pouco esclarece” e adota um tom ambíguo ao fazer acenos simultâneos ao Banco Central, à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e aos críticos de Toffoli.
Na visão desse grupo, a manifestação presidencial acabou por reforçar a crise no STF. Para esses ministros, o texto evitou um posicionamento direto sobre os limites da atuação dos magistrados. Também deixou de enfrentar a necessidade de ajustes internos diante do desgaste público acumulado.
Ética, pressão política e próximos passos
Relatos indicam que Toffoli se sentiu pressionado por críticas vindas de diferentes espectros políticos, o que motivou a reação de Fachin. Ainda assim, assessores e magistrados ligados ao debate sobre ética judicial demonstraram frustração com a ausência de autocrítica no posicionamento da presidência.
Para esse segmento, a crise no STF não se resolve apenas com blindagem institucional. Há a expectativa de que o tribunal reconheça publicamente a necessidade de rever práticas e comportamentos, como forma de recompor credibilidade junto à sociedade e reduzir tensões futuras.